Eles não se procuravam. Ele estava inscrito no site. Ela não. Ela entrou numa noite de agosto de 2024, a 14, sozinha no Porto Santo, mais por curiosidade do que por intenção. Criou um perfil sem nome, sem fotografia, apenas para conversar. Falou com várias pessoas, nenhuma conversa ficou. Estava prestes a apagar a aplicação quando viu o perfil dele. Não sabe explicar porquê, mas ficou encantada.
Conversaram nessa noite como se o tempo tivesse sido aberto ao meio. Primeiro ali, depois no WhatsApp. Conversa boa, longa, sem pressas. Ela estava comprometida e deixou isso claro desde o início. Ele foi sempre respeitoso. Falavam porque era fácil, porque fazia bem.
Nos dias seguintes continuaram a falar. Sem planos, sem promessas, sem segundas intenções. Apenas duas pessoas a reconhecerem-se na palavra.
Um mês depois, a relação em que ela estava terminou. Foi com ele que mais falou, com quem mais desabafou. A proximidade cresceu de forma natural, quase inevitável. Ela na Madeira; ele dividido entre países nórdicos e Lisboa.
Decidiram conhecer-se pessoalmente. A 28 de outubro de 2024, ele voou até à Madeira.
Desde então, não se largam. Veem-se todos os meses, atravessam distâncias, constroem tempo. Estão apaixonados, querem formar família e estão a lutar por isso, com a serenidade de quem sabe que o amor não começa no acaso, mas na escolha diária de ficar.
Às vezes, tudo começa assim: quando já íamos embora, e ficámos só mais um pouco.