Vortex

Vortex
Idade
44 anos
Cidade
Lisboa
Profissão
Tenho

Introdução

A Matilde conheceu o Henrique num funeral. Não era o dela, embora às vezes desejasse que fosse — principalmente às segundas-feiras e em reuniões com PowerPoints. Ele estava junto ao caixão, com ar de quem refletia sobre a fragilidade da vida. Ela achou romântico. Depois percebeu que ele só estava a tentar lembrar-se onde tinha estacionado. — Também conhecias o falecido? — perguntou ela. — Não. Vim pelo catering. Matilde apaixonou-se ali. Uma mulher tem limites, mas não resiste eternamente a um homem honesto perante rissóis. Henrique era um homem peculiar. Dizia “amo-te” como quem informa que a inspeção do carro está marcada. Matilde, por sua vez, tinha a ternura de uma faca bem afiada: não era calorosa, mas era útil em emergências. Começaram a sair. O primeiro encontro foi num restaurante vegetariano escolhido por Matilde. — Eu não como carne — disse ela. — Tudo bem. Eu também já perdi a vontade de viver várias vezes. — Isso era uma piada? — Era uma adaptação ao menu. Ela sorriu. Foi nesse momento que percebeu que talvez tivesse encontrado alguém capaz de a desiludir com estilo. O namoro avançou como avançam todas as relações modernas: com ansiedade, mensagens mal interpretadas e uma quantidade indecente de screenshots enviados a amigas. Henrique não era perfeito. Ressonava como uma betoneira asmática, tinha opiniões fortes sobre guardanapos de pano e achava que “falar sobre sentimentos” era uma espécie de burla fiscal. Matilde também não era fácil. Quando dizia “faz como quiseres”, até os santos mudavam de assunto. Ainda assim, amavam-se. Ou algo parecido. Um dia, Henrique ajoelhou-se à frente dela. Matilde levou a mão à boca. — Meu Deus… — Calma. Caiu-me uma moeda. Ela olhou para ele. Ele olhou para a moeda. O amor, naquele instante, ficou em pausa técnica. Mas depois ele tirou uma caixinha do bolso. — Matilde, queres casar comigo? Não prometo felicidade eterna, porque não sou aldrabão. Mas prometo partilhar contigo o comando da televisão, fingir que ouço as tuas histórias do trabalho e matar aranhas sem fazer grande espetáculo. Ela ficou em silêncio. — Isso foi a coisa mais bonita e deprimente que já me disseram. — Obrigado. Escrevi no trânsito. Casaram seis meses depois. No altar, o padre perguntou se alguém se opunha à união. A mãe da noiva tossiu. O pai do noivo suspirou. Deus, prudentemente, manteve-se calado. Matilde e Henrique disseram “sim”. Não porque acreditassem em contos de fadas. Isso era para gente com défice de realidade. Disseram “sim” porque, no meio da tragédia organizada que é estar vivo, tinham encontrado alguém com quem valia a pena discutir sobre a temperatura ideal do edredão. E isso, convenhamos, já é praticamente uma alma gémea.
Estado civil
Divorciada
Filhos
Não tenho filhos
Habilitações
Ensino universitário
Signo
Sagitário
Fumar
Fumo às vezes
Bebidas alcoólicas
Bebo socialmente
Cor dos olhos
Verde
Cor do cabelo
Castanho
Altura
178
Aparência
Normal
Atratividade
9

Fotos