Introdução
Há pessoas que entram na nossa vida como quem acende uma casa ao entardecer; outras passam apenas na margem da rua. Sempre me chamaram mais as primeiras.
Inclino-me para quem guarda a curiosidade intacta, para quem ainda sabe perguntar, rever o que julgava certo quando encontra outra luz, ler por gosto, escutar a música com demora e perceber que uma boa conversa pode ser uma forma discreta de intimidade.
A vida vai deixando sinais. O passado só ganha lugar quando se transforma em caminho; perde-o quando se ergue em paredes demasiado altas para deixar entrar o que ainda vem. A maturidade talvez seja isto: permanecer disponível ao inesperado, sem fechar a porta ao que o tempo ainda reserva.
Tenho apreço por quem continua a semear. Por quem atravessa os dias com projetos, responsabilidade, entusiasmo e horizonte. Há uma beleza própria em quem se mantém ligado ao mundo e não se deixa adormecer.
A proximidade tem, para mim, um valor difícil de substituir. Há vínculos que precisam da liberdade de um simples «Apetece-me estar contigo» para acontecerem, sem que a distância dite sempre o compasso.
A beleza está sempre nos olhos que veem...
A música que aqui partilho diz tanto de mim como qualquer imagem. Se nela não encontrar eco, talvez as nossas paisagens interiores sigam por outros caminhos.
Ainda acredita que duas pessoas podem escolher-se pela inteligência, pela sensibilidade, pelo humor, pela presença e pela vontade de construir, em vez de apenas passar? Se a resposta for sim, talvez valha a pena começarmos por uma conversa, sem interrogatório, com arte da descoberta, dando tempo ao tempo para a edificação, nesta liberdade do Ser.
Filhos
Tenho filhos e não vivem comigo
Habilitações
Ensino universitário
Bebidas alcoólicas
Bebo socialmente