Introdução
Aprendi, a ferros e silêncios, que não se pode esperar dos outros o mesmo que se dá. Não é maldade, é diferença. As pessoas não sentem igual, não medem igual, não amam igual. E eu, que sempre achei que dar era uma espécie de bilhete de volta, percebi que às vezes é só um bilhete de ida.
Já me zanguei comigo por isso. Por dar demais, por insistir em ver bondade onde só havia distração. Mas depois perdoei-me. Porque há quem nasça com o dom de dar, e não há muito a fazer, tirando o remendo do orgulho e o jeito de quem continua mesmo depois de saber.
Continuo a dar.
Mas já não espero.
Aprendi o truque, dar por gosto, não por retorno.
E se um dia parar, não é vingança.
É pausa.
Para que aprendam, ou para que sintam, por um instante, o vazio que fica quando quem dá se cansa.
Sentir nunca foi exagero.
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