Ghosting

O que é o Ghosting?

O que é o Ghosting?

16 de maio de 2022

Para quem não está familiarizado com o termo Ghosting, este tem vindo a ganhar popularidade nos últimos anos - é uma palavra derivada de ghost (fantasma) e, infelizmente, é uma prática cada vez mais comum nas relações modernas.

Quem nunca iniciou uma relação ou um contacto com outra pessoa e, num piscar de olhos e de forma inexplicável, é posto em modo mute da noite para o dia como se a relação e o compromisso entre os dois nunca tivesse existido?

O Felizes.pt vai ajudá-lo a compreender melhor este fenómeno, quais os sinais que deve ter em conta para perceber se pode estar a sofrer do mesmo, bem como as consequências psicológicas que esta prática acarreta e a forma como deve responder a esta situação.

Ghosting - Fugir com o rabo à seringa

"Fugir com o rabo à seringa" não é uma prática que se limita às relações amorosas. Muitos são os indivíduos que evitam um confronto, pois este exige frontalidade e honestidade. Assim, preferem desaparecer, julgando que se o fizerem os problemas também desvanecem com eles.

Esta falta de compromisso e de encarar os problemas de frente acaba por se tornar numa bola de neve e o ghost (em vez de crescer e aprender), limita-se a criar uma fobia a tudo o que lhe soa a responsabilidade. Do outro lado existe o assombrado, que depositou confiança e esperança nesta pessoa e sente-se defraudado.

Possíveis sinais de Ghosting - As Red Flags

E existem as chamadas red flags que lhe vão fazer soar alguns alarmes de que o seu companheiro não está assim tão empenhado na relação e a qualquer momento pode estar pronto para, sem aviso prévio, abandonar o barco.

O Felizes.pt encarregou-se de enumerar alguns sinais aos quais pode estar alerta, caso esteja na dúvida se pode estar a ser alvo de Ghosting ou, porque uma pessoa prevenida vale por duas, para se futuramente se deparar com uma situação destas já saber de antemão.

Não há tema de conversa

É verdade que o saber estar em silêncio é muito importante num casal, mas se estamos com a nossa cara-metade e não conseguimos ter assunto para conversar e criar um diálogo recíproco, pode ser um sinal de que as coisas não vão a bom porto. Aceitar que o outro precisa do seu momento e simplesmente não lhe apetece falar, ou porque teve um dia cansativo ou porque está a passar por uma fase menos boa, também é importante.

Contudo, quando verificamos que só há disponibilidade da parte do outro para estar connosco em situações de intimidade e noutros momentos não quer a nossa companhia, podemos estar perante uma red flag.

Falta de tempo

Aqui a questão que se coloca é: falta de tempo ou falta de interesse? Ao observarmos que o nosso namorado não despende de tempo nem para falar ao telemóvel, como para as coisas que são importantes para nós, ora porque está sempre muito atarefado, ora porque está muito cansado, devemos começar a questionar-nos.

O tempo numa relação não se limita ao casal planear atividades em conjunto, mas também a estar lá um para o outro. Isso requer desejo de compromisso, de querer cuidar do outro e de percebermos que não vivemos só para nós.

Apatia

A falta de sensibilidade do outro para connosco é clara quando partilhamos algo que nos está a perturbar e não existe paciência da outra parte para nos ouvir, acabando o assunto por ser desvalorizado.

Desinteresse

Esta red flag abarca todas as opções anteriores, mas muitas vezes a vítima tenta justificar a falta de interesse do outro. Desengane-se quem pense assim. Quem gosta de nós vai ficar feliz de nos ver entusiasmados com as nossas conquistas pessoais, bem como com os tópicos que nos interessam. Quando se gosta há o desejo de explorar os interesses do outro e de conhecer aqueles que lhe são queridos.

Sequelas do Ghosting na nossa saúde mental

Para muitos de nós é extremamente difícil ultrapassar o fim de uma relação. E no que diz respeito ao desfecho de um relacionamento com Ghosting à mistura, as mazelas são muito mais acentuadas. Se a rejeição já por si causa dor, o Ghosting é uma rejeição silenciosa, o que torna todo o processo de luto mais longo.

O trauma emocional faz com que quem sofre se questione sobre o que terá feito de errado, o que é que poderia melhorar e como é que conseguirá voltar a confiar em alguém. Esta atribuição de culpa gera altos níveis de ansiedade, baixa autoestima, sofrimento e desconfiança.

Como superar o fantasma que nos assombrou

Inicialmente o defraudado passa por uma fase de negação e tenta encontrar desculpas para explicar a situação, como por exemplo: a pessoa pode ter tido uma emergência ou pode ter sido assaltada e roubaram-lhe o telemóvel.

Após haver uma consciencialização de que o nosso companheiro quis terminar a relação sem comunicar o ponto final, tendo em conta o respeito que nós merecemos, aí inicia-se um processo de luto.

É frequente que quem fica à espera de resposta se sinta profundamente perdido e sem compreender o que poderá ter acontecido para que tal atitude drástica tenha sido tomada. Muitas vezes a necessidade de tentar encontrar uma justificação faz com que a vítima de Ghosting se torne um stalker (perseguidor) e tente obsessivamente encontrar alguma resposta que lhe faça sentido.

Cortar o mal pela raiz

É perfeitamente legítimo que queiramos saber o motivo pelo qual fomos abandonados da noite para o dia. Temos esse direito e o ghost tem o dever de nos explicar. No entanto, estabeleça um limite para também se dar a si ao respeito. Se esse fantasma não mostrar vontade de lhe dar uma explicação, por mais que sinta que a merece, então elimine de vez o contacto.

Não se culpabilize

Após cortar laços com a outra pessoa, a primeira coisa que tem que pensar é "Eu fiz tudo o que estava ao meu alcance". Ninguém o pode julgar de não ter tentado e, ressalve bem isto que lhe estamos a dizer, você não deve nem se pode julgar ou culpar. Se o seu namorado ou namorada não quer continuar a relação é porque pode não estar ainda pronto para um relacionamento sério. Isso em nada tem a ver consigo ou com aquilo que depositou na relação.

Fazer o luto

A perda de alguém de quem gostamos é sempre dolorosa. Assim como acontece com a morte de um ente querido, permitirmo-nos a sentir os períodos de luto calmamente, sem pressa e sem os camuflar, é fundamental para lidarmos melhor com a perda e podermos virar a página.

Vivemos numa sociedade cada vez mais dinâmica que não nos dá tempo para parar e refletir, principalmente sobre as nossas emoções. É como se jogássemos continuamente ao "toca e foge", sem tempo e espaço para parar.

Não evite as suas emoções, procurando refúgio no trabalho ou numa nova relação para manter a cabeça sempre ocupada. Permita-se estar sozinho para se conhecer, mostre aos outros o seu verdadeiro estado de espírito, aproveite para conversar abertamente com os seus amigos, família ou terapeuta e procure ouvir e desabafar sobre tudo o que o atormenta.

Esperamos ter ajudado a saber lidar com o fantasma das relações amorosas. Ninguém quer viver numa casa assombrada, por isso fuja a sete pés enquanto pode. E se tiver uma história para nos contar, partilhe nos comentários e vamos assustar o fantasma em conjunto.

Buh!

Felizes.pt



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2 Comentários

Nice
Há 1 mês

Boa noite! Que texto fantástico! Parabéns!!

Carla
Há 3 dias

Muito bem. Parabéns

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