Dicas para namorar online se tem uma deficiência

Namorar com uma deficiência

Dicas para namorar online se tem uma deficiência

17 de Setembro de 2021

O amor é uma montanha-russa. Num minuto estamos a sentir-nos bem e a trautear músicas românticas, e no minuto a seguir estamos a sentirmo-nos desesperados, confusos e rejeitados. Embora a procura pelo verdadeiro amor possa ser complicada, é especialmente desafiante para aqueles que têm uma deficiência.
As preocupações típicas da maioria das pessoas, como “será que vai responder?”, “porque é que não me telefonou?” ou “será que nunca vou encontrar ninguém?”, são agravadas pela ansiedade de decidir se devem ou não mostrar uma bengala ou cadeira de rodas nas fotografias de sites de encontros, e quando e como deverão contar a um potencial parceiro sobre a sua condição crónica.

Apesar de todas estas preocupações, o Felizes.pt acredita que todos temos direito a encontrar o amor e que todos temos uma cara-metade por aí (ou por aqui, na nossa plataforma). E é por isso que elaborámos uma lista, em conjunto com alguém que tem muita experiência na matéria, com algumas dicas para namorar online para pessoas com algum tipo de incapacidade física:

1. Destaque o que o faz sentir bem

Aconselhamos sempre que ao construir o seu perfil na plataforma seja o mais real possível (evite fotografias antigas ou informações falsas) pois o seu perfil vai ser o ponto de partida da relação - que se quer baseada na autenticidade e honestidade. Publique fotografias atuais e de momentos normais do seu dia a dia que mostrem os seus melhores atributos e realcem alguns dos seus verdadeiros interesses.

Quando se trata do momento certo para revelar a sua deficiência, não há regras e sugerimos que siga o seu coração. Apesar disso, temos algumas dicas: se a sua deficiência não for visível e for algo em que nem sequer pense no seu quotidiano talvez não seja necessário partilhá-lo com pessoas com quem nunca vai estar pessoalmente. Por outro lado, se usar uma cadeira que apoia a sua mobilidade, por exemplo, é melhor incluir esse facto nas suas fotografias porque:

  • Poderá eliminar todas as pessoas superficiais e de espírito fechado desde o início e assim não vai perder tempo;
  • Se publicar fotografias da sua imagem real, aparelho/suporte de mobilidade ou tudo o que possa usar como apoio, não haverá surpresas quando se encontrarem pessoalmente e terá uma conversa muito mais fácil e, acima de tudo, sobre temas essenciais;
  • A sua deficiência não é motivo de vergonha. Se não lhe der muita importância, a outra pessoa também não se concentrará nela.

2. Ser proativo

Enviou mensagens de texto a alguém interessante e ele(a) sugere um encontro presencial. Para além das preocupações regulares sobre o que vestir e os temas que podem ter para falar, as pessoas com deficiência têm preocupações válidas como “e se ele(a) estranhar que vou muitas vezes à casa de banho?” ou “como explicarei porque não consigo subir as escadas?”.

A maioria das pessoas com deficiência sabe que os detalhes aparentemente mais pequenos podem afetar negativamente o nível de conforto e a experiência de uma pessoa. Pode evitar o inesperado (dentro do seu controlo) ao ter uma lista de alguns locais favoritos e pré-escolhidos que pode sugerir para o encontro. Esses espaços em que se sente mais confortável vão ajudá-lo a preocupar-se com o que mais importa.

3. Ser real, não revelador

Tente não pensar em demasia sobre o momento certo para contar à outra pessoa sobre a sua condição crónica. O mais provável é que surja naturalmente à medida que conversam e se conhecem. Se usar plataformas como o Felizes.pt, coloque algumas dicas sobre a sua deficiência na secção de interesses para que possam ser usadas como iniciadores naturais de conversa. Se a conversa surgir, tente manter as explicações a um nível mínimo e use o humor sempre que possível.

Quando os casais que se conhecem há pouco tempo vêem um potencial futuro lado a lado, as conversas evoluem naturalmente e tornam-se mais íntimas. Isto acontece normalmente após alguns encontros, quando se determina que há tanta química como valores comuns. Este é o momento de falar naturalmente da sua condição de uma forma positiva, concentrando-se mais em como superar os desafios e tentar viver o melhor possível com eles.

4. Lembre-se que todos temos algum problema/algo com que nos sentimos mal

Um dos pensamentos que deve manter sempre na sua cabeça é: todos temos algo com que não nos sentimos confortáveis! O seu “algo” pode ser o facto de viver com desafios físicos, enquanto que o “algo” da outra pessoa pode ser viver com ansiedade social ou outra limitação e falta de confiança. Ao namorar e procurar um potencial amor para toda a vida, está a avaliar as qualidades que gosta na outra pessoa e a determinar se essas qualidades ultrapassam as coisas de que não gosta.

Namorar é um salto de fé para todos. Algumas pessoas vão gostar de si e outras não, independentemente da sua deficiência. Dê o que tiver e saiba que, provavelmente, a forma como vive com a sua deficiência é uma das qualidades que, em última análise, atrairá a pessoa certa para si.

5. Seja confiante (ou finja que é)

Já ouvimos muitas vezes que “a confiança é o acessório mais sexy que podemos usar” e isto é provavelmente verdade. Mantenha a cabeça erguida, aposte no contacto visual, sorria, evite pedir desculpa quando fala, e assegure-se que usa roupas que o fazem sentir-se bem.

Todos se sentem inseguros por vezes, especialmente quando começam a conhecer pessoas novas. Há vários artigos com dicas para melhorar a sua confiança, mas para as pessoas com deficiência, a melhor maneira de tornar-se mais confiante e de encontrar o parceiro ideal é aceitar as suas imperfeições!

6. Não leve tudo a peito

Quando a outra pessoa não lhe telefonar depois do que pensou ser um encontro espetacular, é fácil assumir que é por causa da sua deficiência. Mas pode haver mil e uma outras razões para ser ghosted - muitas das quais provavelmente têm zero a ver consigo. A rejeição é difícil de lidar, e não saber o que correu mal ou não saber porque é que a outra pessoa não sentiu o mesmo é uma das partes mais complicadas de namorar. Mas tente não usar a sua deficiência como bode expiatório. Tem muito para oferecer e, se insistir na busca, a pessoa certa acabará por ligar-lhe de volta e nunca mais deixá-lo(a) ir.

7. Esteja atento aos sinais alarmantes

Quando encontramos alguém que gosta de nós e parece “normal”, tendemos a ver essa pessoa num mundo cor-de-rosa e ignoramos alguns dos - por vezes óbvios - sinais alarmantes que mostram. Embora as pessoas com deficiência não devam procurar um parceiro para a vida que seja “2 em 1”, é mais prudente desviarmo-nos de pessoas que não contrataríamos (para auxiliarar na vida) nem temporariamente. Aqui alguns sinais:

  • A outra pessoa é impaciente e/ou mal-educado(a) com o staff;
  • Anda à sua frente, sem que esteja na sua vista;
  • É excessivamente preocupado(a) com as aparências e com o que as pessoas podem pensar;
  • Depois de saber a sua condição, nunca faz perguntas e não mostra interesse em perceber quais são os seus desafios.

Queremos namorar com alguém que seja exatamente a pessoa com quem queremos namorar, e não alguém em quem esperemos que se torne. Preste atenção tanto aos sinais negativos como aos positivos que a outra pessoa está a enviar e que podem revelar mais do que as palavras.

8. Não se contente com pouco

Lembre-se: não está apenas à procura de alguém que o aceite a si e à sua deficiência. Quer alguém que o(a) adore, que partilhe valores semelhantes, e que o(a) faça sentir maravilhoso(a) consigo mesmo quando está por perto. Nunca se contente com pouco!

O artigo foi útil? Partilhe connosco mais dicas e a sua experiência sobre este tema!

Com muito amor,

Felize.pt



 
2 Comentários

Ana Maria Nunes Dias
Há 1 mês

Gostei imenso do que li, por acaso, foi o que eu fiz sem ter ainda lido as vossas dicas, sou uma mulher deficiente motora, mas agora já consigo andar só de canadianas, por isso não coloquei a foto de mim sentada nela, mas se eu ver que a pessoa está interessada em saber o que é que se passa comigo, vou dizer que andei nela muitos anos e agora só me sento nela quando estou com muitas dores e não consigo mesmo andar, mas isso agora já não acontece frequentemente, só de tempos em tempos. Obrigada pelos vossos conselhos que são muito bons e é sempre bom saber certas coisas.

WeltchSpency
Há 8 dias

adorei o acabei de ler

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