Do encantamento virtual à felicidade real

Este é um artigo do autor convidado Tiago Sá Balão, reconhecido psicólogo, sobre como crescer uma relação amorosa nascida no Felizes.pt.
Felicidade

Procura alguém para se juntar a si numa caminhada a quatro pés? Tem dificuldades em dar o primeiro passo?

Muitas pessoas partilham consigo essa vontade – juntar-se amorosamente a alguém – e dificuldade – em dar o primeiro passo. Sabemos que, muitas vezes, noutros tempos, muitos casais não davam o primeiro passo por alguma falta de coragem, uma timidez exacerbada, a vergonha, entre outras razões.
Atualmente, continuando a existir estes fenómenos limitadores do encetar amoroso, temos que admitir que o mundo virtual veio revolucionar esta limitação e tem transformado muitas ausências de passos em primeiros passos. Um meio com um grande poder de desinibição, permitindo inícios relacionais que de outra forma talvez permanecessem no "escuro".

Aplaudo a existência de facilitadores de começos relacionais amorosos, mas incentivo, simultaneamente, ao cultivo de relacionamentos presenciais. Ter receio de dar o primeiro passo e encontrar um meio que facilita o processo, é uma ideia excelente. Qualquer que seja o meio, desde que permita duas pessoas construírem uma vida comum de respeito e amor (pelo outro e amor-próprio), é um sorriso que me abre.

Porém, alimentar um relacionamento sempre escondido atrás da cortina é evitar viver no mundo real. É mais saudável uma vivência próxima e real para os relacionamentos amorosos. Desta forma, dado o primeiro passo, surge a transição para a criação da relação amorosa, ou seja, mais um passo ou um conjunto de passos de exigência elevada.

Como superar o desafio? Apresento-lhe 7 dicas para que estes novos passos sejam dados com confiança:

1.   Procure ser autêntico(a) e sedutor(a).

Sem descurar o lado sedutor, evidenciando as suas qualidades (não entrando na rota do egocentrismo), seja autêntico(a). A autenticidade é um aspeto fundamental para garantir um futuro mais risonho, devendo ser encarado como um comportamento adequado à forma habitual de ser e de estar.
Porém, a autenticidade não deve ser dotada de inflexibilidade, ao estilo "eu sou assim e sempre serei". Na construção relacional, ao longo do tempo, permitirá que a individualidade se transforme (com perdas e ganhos).

2.   Crie as expectativas à medida do mundo real.

Todas as pessoas criam expectativas sobre os relacionamentos amorosos, especialmente na fase inicial, mas o que devemos esperar da relação não deve cair num perfecionismo cego – "o mundo cor-de-rosa". Todos os relacionamentos são encantadoramente imperfeitos. Saibamos viver dentro deles nos altos e baixos, nos momentos de encontro às expectativas e nos outros em que elas são defraudadas.

3.   Guarde os medos dos relacionamentos anteriores num local de difícil acesso. Este relacionamento é novo! Fresquinho!

As vivências (boas e más) dos relacionamentos passados não devem servir de peso pesado na mochila que transportamos na nossa vida e muito menos meios de comparação para os novos relacionamentos. Façamos o luto necessário dos relacionamentos do passado e partamos para novas experiências de coração aberto, sem amarras, medos e fantasmas.
Não devemos procurar no outro o que faltava na pessoa com quem convivemos anteriormente. São pessoas diferentes! E nós também (fruto da amargura e sofrimento, mas também da reflexão, em tons de aprendizagem, que fizemos dos relacionamentos anteriores).

4.   Seja um bom ouvinte e um bom observador. Só assim poderá ser um bom conselheiro quando tiver que sê-lo.

Escutar é uma qualidade do ser humano que está situada no ponto mais alto da grandeza humana. Porém, num mundo individualizado ela não aparece porque o maior interesse de muitas pessoas é fazer-se ouvir e ouvir-se a si própria, não estando minimamente interessada na perspetiva alheia.
Não atropele repetidamente o discurso da outra pessoa porque perde a eficácia das suas palavras (para além de deixar má imagem). Escute com os ouvidos e com o coração e verá o seu mundo crescer, o individual e o relacional.
De entre as várias caraterísticas dos bons conselheiros, destaca-se a capacidade extraordinária de escuta, que bem trabalhada arrasta delicadamente a capacidade de observar com "olhos de ver" os sinais que o outro nos passa. Como é que vamos apoiar e ajudar o outro, e fazer crescer a relação, se não escutamos as suas palavras e não atendemos aos seus pensamentos, sentimentos e emoções?

5.   Acredite na relação e invista nela. Percecione o relacionamento como duradouro.

As formas otimista e pessimista têm necessariamente consequências diferentes. Ficamos mais perto dos nossos objetivos e dos pontos de felicidade quando, à partida, acreditamos que vai correr bem. Se entrarmos com essa dose de positividade, mesmo que o passado não nos traga evidências de sucesso, pode crer que o mundo sorrirá mais e as probabilidades de sucesso aumentam.
Acredite na relação! Lembre-se que todas as pessoas são diferentes e as relações também. Não há duas pessoas iguais e dois relacionamentos iguais. Entrando na relação com essa positividade, criará um hábito que deve ser mantido durante a relação, ou seja, deve investir diariamente no relacionamento.
Um dos ingredientes que ajudam a pensar positivo é percecionar a relação como duradoura. Ninguém sabe quanto tempo durará um relacionamento, é impossível de saber se é para toda a vida ou se durará um período específico. O certo é que se olhar para ele como eterno, vai estar mais dentro do mesmo e investir sem receios.
Não encare como um dado adquirido! Encare como uma árvore que tem ser cuidada diariamente com amor e carinho.

6.   Admita que não há relações perfeitas.

Admita que não há relações perfeitas. Nem é isso que procura! Apenas procura a felicidade e não a perfeição.
Tal como mencionei anteriormente, num outro ponto, todos os relacionamentos são encantadoramente imperfeitos. Veja o mundo relacional de forma relativa e não absoluta. Se procura a felicidade global vai bater com a cabeça na parede.
Procure vários momentos de felicidade e valorize-os. Se olhar de forma absoluta vai "cair no poço" sempre que alguma coisa corre mal. Se compreender e aceitar que um relacionamento é um conjunto de bons e maus momentos, de alegrias e tristezas, de altos e baixos, vai conseguir mais facilmente dizer que vive uma relação feliz.
Por exemplo, pode adorar o seu trabalho, mas será que todas as tarefas que faz são prazerosas e todos os dias são igualmente bons? Claro que não!
Esqueça lógicas de consumismo que se prendem com a satisfação: "enquanto dá prazer estás comigo, quando dás problemas vou trocar". As pessoas não são objetos de consumo, são uma bela parte da natureza que precisa de ser bem cuidada.

7.   Seja feliz com a outra pessoa, consigo próprio(a) e com a relação a dois.

Para terminar, lembre-se que o objetivo de um relacionamento a dois é conquistar a felicidade a três: o "eu", o "tu" e o "nós". Estas três dimensões, com identidades próprias, devem ser respeitadas e cuidadas. Temos que procurar a felicidade para todas elas.
Essa é a grande complexidade da construção de um relacionamento. Já para não falar quando surgem outros elementos para a nova família.
Portanto, seja feliz com a outra pessoa, consigo próprio(a) e com a relação a dois.

Tiago Sá Balão
Psicólogo / Terapeuta de casal
Autor do livro "Sentimento de Pertença – Um caminho a percorrer por mim e por ti".
Relaction – Gabinete de Psicologia Dr. Tiago Sá Balão





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5 Comentários

RitaA
Há 5meses

Boa leitura. Vou tentar memorizar os 7 e espero que a outra pessoa também o faça...

Sónia
Há 5meses

Muito bom o artigo :) as pessoas dedicam tanto tempo da vida delas para o trabalho ou lazer e esquecem-se que uma relação amorosa também tem de ser trabalhada para resultar.

Vito Oliveira
Há 5meses

leitura enteresante

Vito
Há 5meses

UMA BOA LEITURA

Rosa Ribeiro
Há 4meses

Muito interessante !!!!!!! se nos pessoas adultas , com um pouco de cultura, com um passo duplo certo, xegavamos a um porto seguro,

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